• Natália Scodeler

Desafios do empreendedorismo feminino no Brasil


Você já se imaginou vivendo num país onde as mulheres possuem restrição de locomoção, o que impede, assim que se arrume um emprego? Ou então que você seja obrigada a desistir de toda sua carreira profissional porque se casou? Mais ainda: que todos os seus bens sejam administrados e geridos pelo seu marido?


Por mais que tudo soe absurdo, esses são uns dos dados levantados pelo Banco Mundial no estudo apresentado no último mês de agosto, intitulado Mulheres, Empresas e o Direito 2019. Mais do que a situação social das mulheres, a pesquisa também apurou dados referentes ao empreendedorismo feminino ao redor do mundo e os obstáculos que as mulheres ainda precisam enfrentar na hora de iniciar no mundo dos negócios.


Ao falar de empreendedorismo feminino, o estudo, realizado em parceria com o Sebrae e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nos dá muito em quê pensar. Quando comparamos a realidade do Brasil com países que impõem as restrições acima, podemos acreditar que o momento é altamente propício, que a situação das mulheres é igualitária e justa.


Infelizmente, ainda existe muito a melhorar: ainda que não soframos restrições legais, o país ainda peca quando o assunto é incentivo ao empreendedorismo feminino.

Preconceitos culturais

Segundo o Mulheres, Empresas e o Direito 2019, ainda há, no Brasil, diversas barreiras fundadas em preconceitos que dificultam o caminho da mulher empreendedora. E a maioria desses preconceitos possuem, infelizmente, bases culturais: no que diz respeito à legislação, houve avanços significativos no que diz respeito à individualidade, autonomia e liberdade feminina na hora de abrir um negócio ou empreender. A cultura, entretanto, não acompanha, às vezes, o ritmo da lei, e é por isso que deve-se atentar sempre para que tipo de obstáculo a mulher empreendedora encontra no caminho: seria ele natural e esperado ou somente pelo fato de ser uma mulher?


É comum, por exemplo, a mulher encontrar dificuldades no acesso a crédito. Legalmente falando, isso não existe, mas é muito difícil provar o contrário quando o gênero ainda conta como um fator determinante da decisão. Isso torna o empreendedorismo feminino mais complexo: menos acesso a crédito, menos investimento. No relatório, o Banco Mundial é contundente em afirmar que já está na hora do Brasil tomar atitudes que, ainda que simples, como a implantação de uma lei que criminaliza a discriminação de gênero no acesso a crédito,  ajudam a solucionar e incentivam o empreendedorismo feminino.


Empreendedorismo feminino em números

Outra questão que também é de extrema importância são as finalidades do investimento - por amor ou necessidade? Os números femininos estão em constante crescimento: vencendo as adversidades, 50% dos novos negócios são liderados e idealizados por mulheres. Porém, 44% dessas mulheres empreendem por necessidade. Entre os homens, essa motivação foi de apenas 32%.


Ainda que metade dos novos negócios sejam de liderança feminina, é difícil compreender que quase todos eles são criados por necessidade. A prática demanda tempo, paixão, vontade e persistência. O empreendedorismo “por necessidade” reflete apenas a falta de oportunidade e condições de trabalho para o público feminino - e isso não espelha os ideais de igualdade de gênero, muito pelo contrário. O que buscamos não é o empreendedorismo forçado, como última opção de sobrevivência, mas uma inserção total e saudável da mulher no mundo dos negócios, equiparando-se verdadeiramente ao público masculino, atingindo a equidade entre gêneros.


Apoio, companhia e outras estratégias

Todo o panorama do Mulheres, Empreendedorismo e o Direito 2019 podem parecer decepcionantes e, principalmente, desanimadores. Essa, entretanto, não deve ser a mensagem final a ser extraída - muito pelo contrário.


Relatórios como esses, que nos apresentam o real momento da mulher empreendedora deve ser encarado como um norte, como localização do ponto de partida e idealização de onde queremos chegar.


Ter em mente o momento do empreendedorismo feminino no Brasil é peça essencial para que justamente possa empreender mais e com mais segurança.


E, para encontrar esse segurança e não se sentir só e perdida quando encontrar alguma adversidade no caminho, estratégias como buscar mulheres semelhantes, criar grupos e redes de contato e apoio são muito bem vindas.


Por fim, você também pode contar com a ajuda de uma coach para despertar todo o seu potencial. E a Natália Folco está pronta para te ajudar. Agende uma sessão de mapeamento de objetivos para traçar um plano de ação personalizado, voltado ao seu próximo passo profissional ou empreendedor.



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